Quando chegamos na marca dos 40 anos começamos a perceber mudanças em nosso corpo e a valorizar certas partes dele. Normalmente a nossa visão de perto começa a ficar prejudicada e ver a tela de um celular passa a se tornar um desafio. Nossas costas começam a doer com mais frequência e outras partes ficam com movimentos mais limitados. Nosso sono fica mais leve e já não conseguimos dormir muito tempo. Enfim, ao nos depararmos com essas situações costumamos dizer: estou envelhecendo.
Quando comecei a estudar Psicologia e iniciei uma faculdade com 45 anos, passei a tentar entender um pouco melhor esse processo de envelhecimento. Neste momento, me parece que envelhecer não é algo relacionado exclusivamente ao nosso corpo, ao contrário, está mais relacionado a nossa mente, a forma com que nos comportamos ou buscamos nos comportar frente ao ambiente que nos cerca. Eu penso desta forma por conta da maneira como vivo. Hoje, aos 45 anos, me sinto mais novo do que quando tinha 30.
Tem dois fatores que acho que são críticos no processo de envelhecimento. Talvez, se buscarmos cuidar destes dois pontos possamos ficar mais novos. Vou falar um pouco de cada um deles e como eles influenciam em uma característica que o nosso cérebro possui e que a Neurocientista Frances Jensen chama de plasticidade cerebral.
O primeiro deles é batido e muito discutido no meio científico. Hoje inclusive faz parte do senso comum a ideia de que temos que nos exercitar. O que quero destacar aqui não é simplesmente o exercício, mas a nossa capacidade de fazer cada vez mais, mesmo quando a idade avança. Eu comecei a fazer exercícios depois dos 45. Não conseguia correr 2 quilômetros, não conseguia fazer 3 flexões de braço, etc. De forma progressiva, lenta, mas consciente, fui puxando cada vez mais do meu corpo. Sempre com o apoio de profissionais da área, hoje meu corpo me entrega mais do que quando tinha 30 anos. Encontrei na atividade física com progressão do esforço e o aprendizado de novos exercícios a minha fonte da juventude física.
O segundo é diferente do que estamos acostumados a fazer ao irmos avançando na idade. Normalmente, tendemos a nos cercar pelas mesmas pessoas à medida que chegamos aos 45 anos. Falamos dos mesmos assuntos e não nos abrimos a novas ideias ou visões de mundo. No meu caso, percebi isso depois que entrei na faculdade de Psicologia. Mesmo em um esquema remoto, conheci pessoas novas, com visões de mundo totalmente diferentes da minha e, muito mais novas em idade. As ideias destas pessoas associadas a energia delas nos torna diferente, nos dá um gás e nos rejuvenesce por dentro, na mente. O jornalista Joe Keohane fala como conhecer pessoas novas tem a capacidade de nos mudar no livro The Power of Strangers.
Estas duas coisas, o exercício com progressão de esforço e estar inserido em um contexto que nos permita conhecer pessoas com visões de mundo diferentes nos dão a possibilidade de aprendizado continuado, de estar sempre em movimento físico e mental. Nos ajudam a encontrar sensações agradáveis todos os dias impulsionadas por diversos processos fisiológicos através da produção de hormônios que aumentam o prazer e diminuem o estresse. Esse aprendizado diário é possibilitado pela plasticidade cerebral que a Dra. Frances Jensen desta em seu livro The Teenage Brain. Lá ela fala de pesquisas que mostram, por exemplo, que pessoas acima dos 70 anos que aprendem e dançam Tango possuem mais atividade cerebral e diminuem risco de doenças degenerativas.
Resolvi escrever sobre isso aqui porque acho que pílula vermelha neste caso está não somente na ideia de que precisamos evoluir o nosso físico, mas, principalmente, que temos que nos abrir para conhecer pessoas novas, mais jovens. Ter contato com novas visões de mundo é sensacional. Quando deixamos nosso corpo e mente se deteriorarem, ou até mesmo estagnarem, é quando realmente envelhecemos.